Ícone logo
Ícone busca neutro
Faça seu loginÍcone avatar
Ícone busca
Clima e Previsão do Tempo/Notícias/El Niño/Novo El Niño está em formação e pode ser forte

Novo El Niño está em formação e pode ser forte

Uma das maiores preocupações climáticas no Brasil durante o ano de 2026 está relacionada com os impactos do fenômeno El Niño nas precipitações sobre o Sul do Brasil. É sabido que um dos efeitos clássicos e esperados é o aumento da chuva na região Sul

Josélia Pegorim

20/03/2026 às 17:03

Imagem da notícia Novo El Niño está em formação e pode ser forte
Fenômeno El Niño deverá se formar nos próximos meses. Veja o impacto no Sul do Brasil.

Um novo episódio do fenômeno El Niño está sendo esperado para o segundo semestre de 2026. O processo de formação deste El Niño ocorre ao longo do outono de 2026. Isso significa que, nos próximos meses, a água da porção central e leste do oceano Pacífico Equatorial, na altura da costa norte do Peru, vai aquecendo gradualmente. Tecnicamente o El Niño de 2026 só estará configurado no final do outono ou começo do inverno. Muitos critérios precisam ser obedecidos para que se tenha efetivamente um fenômeno El Niño acontecendo. Um deles é que a região do Pacífico Equatorial, na costa do Peru, tenha temperatura de pelo menos 0,5°C acima da média e por pelo menos três meses consecutivos. Só poderemos considerar que o clima global começa a ser influenciado por um El Niño no decorrer do segundo semestre de 2026.

El Niño pode ser forte

Os principais centros mundiais de monitoramento do clima global concordaram que o risco de formação de um El Niño aumentou na última avaliação técnica feita em meados de março de 2026. A mais recente análise da NOAA aumentou para mais de 60% a probabilidade de consolidação de um El Niño no inverno do Hemisfério Sul. Aumentou também a probabilidade de ser um evento forte.

Previsão da evolução dda fase quente do Pacífico Equatorial, com tendência de formação de um El Niño de forte intensidade.

Previsão da evolução dda fase quente do Pacífico Equatorial, com tendência de formação de um El Niño de forte intensidade. (Fonte: IRI- CPCA)

Na avaliação da Climatempo, o El Niño de 2026 tem potencial para ser forte a muito forte, com intensidade comparável ao El Niño observado no ano de 2023.

O monitoramento climático a longo prazo da Climatempo já trabalha com a ideia da influência deste fenômeno no inverno, na primavera e em pelo menos parte do próximo verão no Brasil.
Historicamente o aumento da chuva sobre o Sul do Brasil é mais preocupante na primavera, que já é uma estação quando normalmente se observam eventos de chuva intensos e até extremos nesta região.

Possíveis impactos do El Niño no Brasil

Historicamente o El Niño reduz as precipitações em áreas do Norte do Nordeste do Brasil e aumenta a frequência e o volume de chuva sobre a região Sul, especialmente sobre o Rio Grande do Sul.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, o maior impacto do El Niño é o aumento da irregularidade das precipitações na primavera e no verão e aumento do calor, com períodos prolongados de temperaturas acima do normal.

Maior risco de ondas de calor

Uma das maiores preocupações em relação aos impactos do El Niño no Brasil é o maior risco de ondas de calor. Os períodos prolongados com temperaturas acima do normal podem acontecer em qualquer estação do ano, mas os impactos negativos para a população são maiores na primavera e no verão quando as temperaturas naturalmente já estão em processo de elevação.

Alguns efeitos prováveis do El Niño no Brasil

  • aumento da chuva no Sul, especialmente sobre o Rio Grande do Sul;
  • maior risco de chuva extrema no Sul do Brasil, especialmente na primavera e no verão;
  • maior risco de ondas de calor, que poderão ocorrer várias vezes no segundo semestre de 2026;
  • mais dias com umidade do ar muito baixa na primavera;
  • aumento dos problemas de saúde provocados pelo calor, especialmente em crianças e pessoas idosas;
  • risco de atraso no início do próximo período úmido do Sudeste e do Centro-Oeste;
  • aumento do risco de alastramento de focos de fogo na primavera;
  • aumento do consumo de energia elétrica por causa do aumento do calor;

El Niño está em formação

O El Niño ainda não está acontecendo. O outono de 2026 teve início astronomicamente às 11h45 de 20 de março (hora de Brasília) com a influência de um El Niño costeiro. Este é um fenômeno caracterizado por um rápido e intenso aquecimento no litoral norte do Peru e no litoral do Equador. O aumento da temperatura da água do mar é bastante concentrado nessas regiões e por isso os impactos desse aquecimento não tem a abrangência global, como ocorre com o El Niño clássico (normal). O El Niño normal é caracterizado pelo aquecimento da água do oceano Pacífico Equatorial numa grande porção entre a Oceania e a costa do Peru, tanto na superfície oceânica como em profundidade.

Regiões de formação do El Niño e do El Niño Costeiro no Pacífico Equatorial

Regiões de formação do El Niño e do El Niño Costeiro no Pacífico Equatorial (Imagem: NOAA)

Porém, o El Niño costeiro não tem a mesma força de atuação de um El Niño normal. Com o El Niño costeiro, o ar quente e úmido do Norte do Brasil começa a chegar com maior frequência sobre a região Sul, o que facilita a formação de nuvens carregadas, com potencial para provocar tempestades. O El Niño costeiro ajuda a aumentar a chuva no Sul do Brasil neste outono, mas o volume acumulado ao longo da estação ainda não deve ser extremo.
Ao longo do outono de 2026, há risco de alguns episódios de chuva intensa, com transtornos para a população gaúcha, mas é prematuro fazer comparações com os volumes de chuva que aconteceram durante o outono, parte do inverno e na primavera de 2023.

El Niño aumenta a chuva no Sul do Brasil

O Sul do Brasil está saindo de um verão com deficiência de chuva. O aumento da frequência das precipitações neste outono deve ser particularmente observado durante o mês de maio. A partir daí, e no restante do ano, os episódios de chuva tendem a ser cada vez mais frequentes sobre a região Sul, com grande chance de vários temporais nos três estados. À medida que aumenta e se amplia o aquecimento no oceano Pacífico Equatorial, que é o processo de formação do El Niño clássico, as correntes de vento quente e úmido vindas do Norte do Brasil vão atuar com mais frequência sobre o Sul do país. Essa injeção de calor, junto com a passagem das frentes frias do outono e do inverno, que naturalmente chegam ao Brasil mais fortes, vai estimular mais áreas de chuva sobre a região Sul e que, em alguns períodos, poderão ser volumosas e fortes.

Esse choque térmico será ainda mais acentuado ao longo da primavera, quando se espera que o El Niño já esteja atuando com moderada a forte intensidade. Na primavera, as tempestades já são mais prováveis sobre o Sul do Brasil e o risco de temporais aumenta com a influência do El Niño.

Considerando a chuva que vai se acumular ao longo do outono e do inverno sobre os solos e rios, o risco de enchentes e deslizamentos de terra na primavera de 2026 com El Niño também tende a ser maior, se comparado a uma situação de outono/inverno normal, sem impactos de um El Niño.

O risco de chuva extrema sobre o Sul do Brasil é maior este ano, especialmente na primavera, com a expectativa de um El Niño de forte intensidade. Porém, ainda é muito cedo para se inferir sobre o nível de transtornos que o Rio Grande do Sul e os demais estados do Sul do Brasil poderão ter e fazer comparações com a tragédia que aconteceu em 2023 na região. No momento, a população deve ser alertada que o risco de chuvas fortes e mais frequentes sobre o Sul do Brasil aumenta neste outono e deverá ser ainda maior na primavera de 2026.


Previsão para sua cidade

Veja aqui!