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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/Energia/El Niño 2026 no setor elétrico e análise dos impactos do evento 2023/2024 no clima do BR

El Niño 2026 no setor elétrico e análise dos impactos do evento 2023/2024 no clima do BR

Previsão para 2026 é de que o novo El Niño seja de forte intensidade e tenha maior influência sobre o Brasil na primavera e no verão. Enteda os impactos que o forte EL Niño 2023/2024 teve no clima e no setor elétrico do Brasil.

Josélia Pegorim

15/05/2026 às 19:03

Imagem da notícia El Niño 2026 no setor elétrico e análise dos impactos do evento 2023/2024 no clima do BR
Os desligamentos de energia causados por queimadas cresceram 38% em 2024

texto elaborado pelo meteorologista Rennan Barbosa Soares

Previsão para 2026: formação de um novo El Niño forte

O oceano Pacífico Equatorial continuou apresentando um aquecimento gradual e persistente nas últimas semanas, reforçando o sinal de formação de um novo episódio de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. Atualmente, a temperatura da região Niño 3.4 está cerca de +0,4°C acima da média climatológica, valor ainda ligeiramente abaixo do limiar de +0,5°C utilizado pela NOAA (Administração Nacional para os Oceanos e para a Atmosfera), dos Estados Unidos, para caracterizar oficialmente o fenômeno.

As projeções mais recentes da NOAA, divulgadas no fim da primeira quinzena de maio de 2026, indicam um cenário cada vez mais favorável para a intensificação do aquecimento do Pacífico Equatorial durante o segundo semestre deste ano. Os modelos de previsão seguem convergindo para anomalias positivas mais elevadas, sugerindo que o El Niño pode ganhar força rapidamente entre o inverno e a primavera do Hemisfério Sul.

Quando o El Niño começa a influenciar o Brasil?

Embora os primeiros sinais do El Niño já possam começar a influenciar a circulação atmosférica durante o inverno, os impactos mais relevantes tendem a ocorrer principalmente a partir da primavera e do verão de 2026/2027. Esse comportamento é típico do fenômeno, já que é nesse período que o acoplamento oceano-atmosfera se fortalece e os efeitos sobre o regime de chuvas e temperaturas se tornam mais expressivos no Brasil.

Intensidade do El Niño 2026

No momento, o cenário mais provável é de um El Niño forte. Ainda não há elementos suficientes para classificar o evento como um possível “super El Niño”, semelhante aos episódios históricos de 1997/98 ou 2015/16, que registraram anomalias excepcionais no Pacífico Equatorial. No entanto, os modelos climáticos vêm indicando um aquecimento significativo e persistente, o que aumenta o potencial para impactos relevante.

Caso o cenário atual se confirme, os efeitos no Brasil podem apresentar características semelhantes às observadas durante o El Niño de 2023/2024. Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo períodos de estiagem mais severa e maior pressão sobre os recursos hídricos. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno pode comprometer parte da estação chuvosa, afetando a recuperação dos reservatórios hidrelétricos e elevando o risco hidrológico. Por outro lado, a região Sul tende a registrar chuvas acima da média. Além dos impactos hidrológicos, um El Niño forte em 2026 também pode provocar ondas de calor mais intensas e frequentes no Brasil, pressionando a demanda por energia elétrica.

Impactos do El Niño 2023/2024 no clima e no setor elétrico brasileiro

O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno oceânico e atmosférico, causado por variações na temperatura da superfície do mar e na pressão atmosférica da região equatorial do oceano Pacífico. Essas mudanças da temperatura são responsáveis por alterar a circulação atmosférica global, modificando o padrão de chuva e temperatura em todo o planeta.

El Niño: índice ONI de 1950 a 2024

El Niño: índice ONI de 1950 a 2024 (NOAA)

O El Niño de 2015/2016 foi um dos mais intensos registrados no século XXI, causando impactos relevantes em todo o globo. No Brasil, o fenômeno alterou significativamente os padrões atmosféricos.

O mais recente El Niño, de 2023/2024, também teve impactos sobre os recursos hídricos e o setor elétrico brasileiro. O fenômeno começou a se consolidar em meados de 2023, após três anos consecutivos de La Niña, e atingiu seu pico entre o fim de 2023 e o início de 2024, com forte aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento alterou significativamente a circulação atmosférica global, modificando consideravelmente os padrões de chuva e temperatura no Brasil.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno favoreceu condições mais quentes e secas, principalmente durante a estação chuvosa. Como essas regiões concentram os principais reservatórios hidrelétricos do país, houve preocupação constante com os níveis de armazenamento e com a segurança energética do Sistema Interligado Nacional (SIN). O risco hidrológico aumentou e o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisou intensificar o monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas para garantir a capacidade de geração de energia dos reservatórios estratégicos. Além disso, as temperaturas extremamente elevadas durante a primavera e o verão de 2023/2024 provocaram sucessivos recordes de demanda de energia elétrica no Brasil, impulsionados principalmente pelo uso intenso de aparelhos de ar-condicionado e refrigeração.

Como consequência da menor disponibilidade hídrica em muitas áreas do país, houve maior necessidade de acionamento de usinas termelétricas para garantir o atendimento da demanda elétrica.

Por outro lado, na região Sul, o El Niño foi um dos fatores responsáveis chuvas frequentes e acima da média, favorecendo a recuperação dos reservatórios da região. Em algumas situações, foi necessário realizar vertimentos, que significa liberar água de um reservatório para garantir a segurança estrutural das usinas diante do elevado volume de água armazenado.


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